segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Quem indica, amigo é

Já perdi a conta, até porque parei de contar, de quantas vezes uma tradutora que se tornou amiga minha quando eu frequentava as festas em que ela era DJ me endereçou um anúncio de uma empresa à procura de um revisor de textos. Se os dois primeiros trabalhos no ofício que exerço desde 1995, ambos em empresas de tradução e legendagem de filmes, não tivessem sido conseguidos por mim mesmo, eu poderia dizer que, ao longo destes meus mais de 20 anos de carreira, tudo o que fiz foi por indicação, com a diferença de que a indicação nunca foi para trabalhar na mesma empresa onde se encontrava quem me indicou, porque, por mais que você tenha uma rede de amigos, reais ou virtuais, de causar inveja, dificilmente algum deles vai querer, nem que lhe pague, amigos, amigos, trabalho à parte, indicá-lo para a empresa onde ele trabalha, para ele não correr o risco de ficar mal na firma se você acabar não tendo sido uma boa aposta. Na maioria das vezes, quem me indicou foram colegas de trabalho, porque, antes de você passar por todo o processo de avaliação exigido pela empresa onde você está tentando vender seu trabalho para saber se, como parece, você é a pessoa certa para ocupar a vaga, ninguém melhor para falar, inclusive mal, do que você faz do que quem trabalha ou já trabalhou com você. Em minha lista, estão uma tradutora e uma revisora que conheci na empresa em que trabalhei durante 11 anos, os 3 últimos como autônomo. A primeira me apresentou para o escritório de design do irmão dela, para o qual prestei serviços durante 6 anos, e a segunda, para a editora de revistas de arquitetura de cujos textos ela, formada em jornalismo, também escrevia. Por falar em autônomo, cheguei a meu segundo trabalho como “freelancer”, em uma assessoria de imprensa, apresentado por uma jornalista que conheci em minha rápida passagem pela redação de uma revista sobre jornalismo. O número de pessoas que, mesmo sem eu pedir, já me indicaram para um emprego poderia ter sido maior se dois outros ex-companheiros de lida não tivessem me chamado para prestar serviços para eles mesmos, um deles pagando para eu revisar o português das traduções que ele faz para distribuidoras de filmes, trabalho extra que concilio com as revisões que tenho feito desde 2008 para outro escritório de tradução e legendagem, porque, para quem é autônomo, trabalho nunca sobra, principalmente em tempos de crise.

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