domingo, 11 de junho de 2017

Aportuguesado mesmo

Para começo de conversa, antes que alguém me pergunte, já vou dizendo que, fora do trabalho, onde não sou obrigado a escrever do jeito como o cliente gosta, só emprego o termo “blog” à portuguesa: “blogue”, com “e”, como BASQUETE, BIPE, BLECAUTE, BLEFE, BUFÊ, BULDOGUE, BUQUÊ, CHEFE, CHIQUE, CHOQUE, CLIPE, CLUBE, CONHAQUE, COPIDESQUE, CRÍQUETE, DEQUE, DRINQUE, DROPE, ESTANDE, ESTEPE, ESTILINGUE, ESTOQUE, ESTRESSE, FILME, FRONTE, GANGUE, GOLFE, IATE, IENE, JIPE, LEIAUTE, LOCAUTE, LORDE, NOCAUTE, PICAPE, PIQUE, PIQUENIQUE, RECORDE, RINGUE, RINQUE, SUINGUE, SURFE, TANQUE, TIME, TÍQUETE, TURFE, VERMUTE e outros exemplos, de origem inglesa ou não, que fico devendo em minha lista, afinal, se, escrevendo na língua dos brasileiros, ninguém deixa, por exemplo, “blogueiro” e “bloguista” com cara de estrangeiro, por que manter “blog” do jeito como veio ao mundo? A quem me disser que o substantivo “blog” fica estranho com nossa roupa (“blogue”) responderei que não menos estranha fica a flexão verbal “blogue”. Se, por um lado, só mantenho palavras estrangeiras da forma como são escritas na terra onde nasceram quando não as encontro aportuguesadas em nossos dicionários, por outro, só as importo quando em meu idioma me faltam palavras para tentar ser entendido. Quanto à revisão, no meu caso, é a de legendas de vídeo, trabalho que faço desde 1995, quando estreei no penoso e desvalorizado ofício de revisor de texto, em um pequeno escritório de tradução e legendagem de filmes.  Mas não passei estes mais de 20 anos corrigindo só legendas. De 2000 até aqui, ora prestando serviços para um, ora para outro, inclusive durante o tempo em que fui funcionário da empresa onde trabalhei mais tempo, mais de 15 anos, já corrigi textos de livros, publicações corporativas, prospectos de hospitais, embalagens de produtos farmacêuticos e, o pior até o momento, manuais técnicos, acumulando experiência suficiente para criar um blogue sobre meu trabalho. Atualmente, trabalhando para um escritório de tradução e legendagem de vídeo, onde, além de revisar legendas, transcrevo áudio para geração de legenda oculta (closed caption), e publicando no Portal Comunique-se meus textos sobre o português falado e escrito a torto e a direito pelos brasileiros, eu já era revisor antes mesmo de sonhar em abraçar esta profissão, corrigindo meus textos, como os releases que eu redigia para uma festa que correalizei entre 1991 e 1992 e os textos que escrevia e recebia para um fanzine que eu editei de 1993 a 1995, ou hoje eu estaria me perguntando para que, além de ocuparem espaço na estante, serviram todos os livros de gramática e os manuais de redação e estilo, inclusive dos principais jornais e revistas do país, que, por amor ao jornalismo e ao meu idioma, li.

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